Aqui colocamos um APOIO TEÓRICO ao tema
EDUCAÇÃO INFANTIL & SOMAIÊ do II Te&So:
JOSÉ ÂNGELO GAIARSA na Internet:
. José Ângelo Gaiarsa - colocado seu nome num site de busca da web, pegamos um pouco do Gaiarsa na web...:
1 - Entrevista ao Jornal da Orla (04/04/2004) http://www.jornaldaorla.com.br/coluna8/1341.shtml
2 - Texto http://www.velhosamigos.com.br/Autores/Gaiarsa/gaiarsa19.html
3 - Guia de Cotia OnLine últimas notícias (27/07/2005) www.guiadecotia.com.br
4 - Entrevista ao Fala Brasil! (04/04/2004) http://brazil-brasil.com/index.php?option=content&task=view&id=255
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| Entrevista: José Ângelo Gaiarsa | |||
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O conhecido psiquiatra José Ângelo Gaiarsa, autor de diversos livros e que durante anos falava diariamente na TV Bandeirantes, concedeu essa importante entrevista para a coluna. EM - O que mais o emocionou em sua jornada terapêutica? JAG - A ausência do olhar na Psicoterapia – e as conseqüências dessa ausência. Desde Freud, que afastou o paciente de seu campo visual, até a psicologia ensinada nas escolas, em nenhuma das quais há uma aula sobre "A Influência do olhar nas relações humanas". Tem cabimento uma coisa dessas? Minha maior emoção foi e continua sendo a indignação com essa cegueira profissional compulsória. Por isso, passei a estudar Reich – porque ele olhava para o paciente e assim começou a perceber que o inconsciente é visível – que as pessoas mostram na expressão não-verbal (faces, gestos, atitudes) tudo o que acreditam estar escondendo... Quase todas as pessoas que se vêem gravadas em teipe mostram muita estranheza com a própria aparência e a psicologia ignora esse fato básico: meu rosto, que eu desconheço, é quase tudo o que o outro vê de mim. Essa discordância permite compreender a maior parte dos desentendimentos entre as pessoas. EM – Como o senhor vê os relacionamentos atualmente? JAG - Pergunta muito grande. Palpite: está diminuindo o prazo esperado dos relacionamentos (monogamia vitalícia) e surgindo, por isso, a possibilidade de estabelecer relacionamentos mais curtos, mais intensos, mais vivos e mais pessoais. EM - As pessoas sempre buscam um caminho espiritual. O que aconselha? JAG - O conselho é velhíssimo, mas de todo atual: aproxime-se do aqui - e – agora até descobrir que essa é a única realidade e que essa realidade é criação contínua – um milagre permanente. Buda insinuou um bom caminho: esteja presente à sua respiração – o tempo todo. Essa é a meditação mais simples e a mais eficaz – mas não a mais fácil. EM - Com tanta informação, o senhor acha que as pessoas estão mais abertas para assuntos que sempre foram tabus como a sexualidade, por exemplo? JAG - Acho que essa torrente de informações está transformando a sexualidade numa banalidade – forma atual da repressão sexual. EM - Com os olhos de hoje, que livro escreveria? JAG - O que estou escrevendo: "Meio Século de Psicoterapia" (verbal e corporal). Nele, exploro o que vivi e o que acontece quando as pessoas olham umas para as outras |
ENTRE NESTE NOVO MUNDO
ESTAS DEFESAS NOS PROTEGEM?
J.A. GAIARSA
Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça..
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Todos criamos cascas protetoras, para nos defender dos outros. Bichos cascudos têm pouca mobilidade, e machucam os outros. Uma velha tradição diz que o ser humano faz tudo para ter prazer na vida, e evitar a dor. Verdade? Normalmente não procuramos demonstrar o amor que sentimos, quando amamos. Amor é ruim? Feio? Dói? De fato (e INFELIZMENTE) na hora das coisas boas ficamos cheios de dedos. Não sabemos senti-las, muito menos nos entregar a elas. E usamos desculpas para esconder nossa incapacidade. Dizemos: - Não estava na
hora. Acho que acontece o contrário; defendemo-nos de coisas excelentes, fabricando uma casca protetora, verdadeira couraça. Os psicanalistas a chamam de defesa psicológica ou mecanismo de fuga ou proteção? Toda casca faz do indivíduo um especialista? Ele sempre responde as incertezas do mesmo jeito. Por isso, torna-se muito capaz numa direção, e incapaz na outra. Alguns exemplos: o desdenhoso sabe desdenhar espetacularmente, mas sua habilidade termina aí. O orgulhoso é especialista em colocar se acima das coisas, e incapaz de vivê-las. O gozador tem grande capacidade em rir de tudo, porém, não sente nada de importante, já que tudo é risível. O sério julga o mundo sério demais e achata a vida. Não sabe rir. O displicente não leva nada a sério, então, não há nada que lhe interessa. A ingênua diz com espanto nos olhos que tudo é novo, mesmo acontecimentos velhos de muitos anos. E não se enriquece com acúmulo das experiências. O cobrador vive exigindo que as pessoas cumpram sua obrigação, com isso elimina a possibilidade (e risco) das respostas espontâneas. O desconfiado está sempre desconfiado e afasta as coisas boas que interpreta como malévola. O falador interminável teoriza sobre tudo e não vive, a vida é um dicionário. Esses são só alguns exemplos de cascas. Pois há tantas....e todas dificultam a vida. Como se fossem óculos escuros,
impossibilitando a visão do arco-íris. Se for preciso passar por uma ponte estreita (ou seja, por um momento difícil) é quase impossível manter o equilíbrio com a armadura. O índio ganha se surgir um perigo inesperado; como é que o cavaleiro se defenderá? Ele só sabe fazer as coisas de um jeito (é um especialista). O índio ganha. Se acontecer um empurrão (isto é, se as pressões sociais forem muitas), o cavaleiro não resiste e cai. O índio ganha. Além disso, durante todo o tempo da luta, o encouraçado tem a respiração deficiente. Em conseqüência disso, ele pensa, sente e se mexe mal, pois a casca feita, na verdade, por tensões musculares que prendem, como uma roupa apertada, inibe todas as expansões. Voltando aos exemplos, como o cavaleiro encouraçado, o desdenhoso, a vítima, o orgulhoso e os outros cascudos, especializados em suas defesas se movem, respiram, se sentem mal, vivem mal. Todo bicho muito cascudo,tartaruga, besouro, morre quando cai de costas. Seria bom aprender esta lição. A casca oprime, limita e sufoca. Nos torna burro em todas as reações que fogem a nossa especialidade. Nos deixa tenso e sem reações de forma que deixamos a vida passar sem realmente vivê-la, como se passa o tempo. Autor: J.A. Gaiarsa |
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Consciência” é um termo reconhecidamente difícil de definir e vem sendo discutido de longa data.Popularmente, ele é substituído facilmente por “mente”, palavra dita com segurança pelas pessoas, como se a mente fosse um órgão...mental (!)
psicologicamente bem definido com múltiplas funções igualmente bem definidas. Função poderosa, capaz de explicar muito ou quase tudo do que vivemos subjetivamente - tudo o que acontece...em minha mente! |
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| José Ângelo Gaiarsa - Quem Orientou Esses Ignorantes? |
| por Anselmo Massad e Glauco Faria | |
| 06 12 2004 | |
![]() "Metade dos pais brasileiros são alcoólatras crônicos, têm quantos filhos quiserem, um exemplo doméstico mortífero, horrível"
"Os argumentos são muito bons, os autores também, mas são as mesmas idéias antigas, o mesmo raciocínio de outras publicações. Sempre a mesma fórmula de apontar o culpado e o que se deve fazer". E arrematou: "então? Vocês vão fazer as mesmas perguntas de sempre
para que eu dê as mesmas respostas de sempre ou vamos tentar ir além?" E sobrou até para os pais: "Dizem que os pais não orientam os filhos, mas quem orientou esses ignorantes? Metade dos pais brasileiros são alcoólatras crônicos, têm quantos filhos quiserem, um exemplo doméstico mortífero, horrível. A família é muito falada, elogiada e em
nada cuidada". Por que o capitalismo vai muito bem? Porque é baseado, em alto grau, na inveja coletiva, porque todos nós queremos ser capitalistas. Temos inveja de todos os que possuem dinheiro, todos gostariam de comprar muita coisa gostosa que a gente não tem. Os organismos simples foram se juntando e criando organismos cada vez mais complexos. Bactérias foram se unindo, formaram protozoários e assim por diante... Nosso corpo é uma gigantesca colônia de subcolônias. O fígado, os rins, o cérebro, todos são colônias que rendem muito mais funcionando juntos. Uma forma espontânea de cooperação que se aplica aos vários níveis biológicos. Qualquer ecossistema é cooperativo, se você tira três elementos ele se desorganiza completamente. Os primeiros conquistadores da humanidade foram os pescadores, que iam pelo mundo trocando. A raiz civilizatória é muito mais comercial que guerreira, o que acho muito bonito. Trocas são a essência da economia. O que é a economia de um país senão a soma de todas as trocas que acontecem a cada instante retratadas na bolsa de valores? A bolsa é uma feira instantânea, quantos caminhões de urânio por quantos navios de petróleo. A troca nos uniu completamente. Tudo o que você faz é para os
outros, e tudo o que você tem foi feito pelos outros. Então veja como é profundo esse instinto de cooperação, que não é falado. Predomina a frase capitalista: "O homem é naturalmente egoísta", e a lei número um do capitalismo: "se dá lucro, está certo". "Olha, que sujeito sensacional, ficou rico! Era um bandido como o Fleury, roubou até os colarinhos e foi eleito outra vez, e está aí para roubar mais". Está nascendo um pensamento na sociologia, que diz que hoje ninguém sabe tudo de tudo, todo mundo sabe um pouquinho e a partir daí começam as combinações de trocas espontâneas. Talvez nasça uma salvação na qual ninguém está pensando sozinho, mas coletivamente, sem perceber. Nós avaliamos todo o presente à luz dos padrões passados. Causa-efeito, isso liga com aquilo, tudo liga com tudo. Isso é uma bagunça gigantesca, ninguém tem idéia global do que está acontecendo, cada um sabe um pedacinho. Qual é a instituição mais próxima disso no Brasil? (Quando os intelectuais lerem isso vão me xingar). É a Rede Globo de Televisão. As novelas são vistas por mais ou menos 500 milhões de pessoas todos os dias no mundo inteiro, já que são exportadas para diversos países, coisa que nenhuma outra instituição tem. Eles fazem um filme por dia, juntando os capítulos das novelas, pondo Hollywood no chinelo. Os diretores da Globo têm em suas mesas um monitor com a audiência de cada emissora minuto a minuto. Todos têm úlceras quando um programa começa a cair, a ficar sem ibope. Sem ibope não tem programa. A Globo não faz o que quer, faz o que o povo brasileiro exige, porque se ela faz uma novela meio torta cai a audiência, corta a cabeça do diretor, muda, acaba a novela! Eles vivem disso. A Globo é democrática sem querer. Todos influem na história. Não era o Boni que resolvia, não era "o FDP do Roberto Marinho". Quando as pessoas vão entender que é feito um plebiscito todo dia aqui? Você vota quinze vezes por dia usando os programas. Você está determinando o destino da televisão, que é um fantástico meio de comunicação popular. Ela é interativa. E tem um lado que me orgulho de ter descoberto. Pegue um jogo de futebol. Você tem de doze a quinze câmeras. O mesmo espetáculo é visto por uma panorâmica, uma corrida de conjunto, pelo chute de escanteio, de trás do gol, panorâmica de cima, geral. O mesmo objeto é visto de um número incontável de ângulos. Então se percebe que não existe uma verdade ou a minha verdade, mas umas cinqüenta verdades. Isso é passado subconscientemente, mostrando que tudo tem muitos lados, enquanto nas conversas comuns só existem o bem e o mal,
o certo e o errado, a salvação americana ou a desgraça. Isso está ensinando às pessoas a comunicação não verbal, que é minha paixão. Você comunica talvez muito mais na cara e no gesto que na fala, outro dos caminhos que estão desabrochando totalmente. O que passa na televisão são pessoas, não são discursos. Há um enorme jogo de simpatias e antipatias, e ninguém sabe o que vai sair disso. Mas a minha paixão é a importância da comunicação não-verbal entre as pessoas. Ela pode estabelecer uniões inconscientes muito profundas assim como estabelecer antipatias que você não compreende. Foi a cara, o jeito, o tom de voz... Uma amiga minha - que não é das mais belas figuras - contou-me que os orgasmos que tinha conversando com certo homem que não sabia quem era foram os mais intensos de sua vida. A palavra real é a mais explosiva da filosofia. Os hindus sabem há muito tempo do poder da imagem mental e abusavam das visualizações para se organizar. Hoje está provado que imaginar com clareza é quase tão bom quanto fazer. Imaginar muito não é tão distante do real quanto parece, é até mais sincero que face a face. Você pode pôr suas fantasias muito mais às claras. Não estou dizendo que seja boa essa distância, mas que ela não é só desvantagem. Eu deixaria uma interrogação. E olha que sou um tremendo defensor das técnicas corporais, acho a pele uma coisa espantosa. Você tem 500 mil pontos sensíveis na sua pele, em 2 metros quadrados, cientificamente determinados. Eu prefiro suspender o juízo e duvidar um pouco do meu
julgamento, porque ele é velho. O mundo mudou muito, a família que hoje existe não tem nada a ver com a família burguesa de Viena, onde estudou. O mais interessante é que a psicanálise freudiana não tem olhos, põe o cara lá e estuda, mas não o olha diretamente. A psicanálise não respira. O homem freudiano não tem tórax, porque passa pelas fases anal, oral e genital, tem aparelho digestivo, testículos e ovários, mas não tem pulmão nem coração. O homem freudiano não tem pele, porque ninguém encosta em ninguém e não se mexe. Não estou criticando Freud, mas tomando a ele e aos psicanalistas como sinal de como se aceita uma teoria com essas carências no nosso mundo. Essas idéias são um dinossauro que não acompanhou nada do
que está acontecendo no mundo. Embora hoje a garotada mais escolada, mais violenta e mais rebelde, já esteja consertando isso. Mãe, pai e filho num apartamento é uma loucura, muita convivência não funciona. Mais filhos é até melhor que um ou dois, porque dá diversidade de contato. Mas a criança mesmo muito pequena já vai para a escola maternal, creche. Desde pequeno começa a afrouxar essa intensidade de contato, que é a causa das neuroses. Psicanálise quer dizer afrouxar laços familiares. Complexo de Édipo é o que tem nos Jardins, na favela é encrenca de família, mas é a mesma coisa. Todo mundo vive por aqui com a família em particular. Exceto em público, a família da TV no programa da Hebe: "Nossa, eu sou tão feliz, meus filhos são uma jóia" (risos). Mas para ter filhos é preciso passar por uma educação especial. Dizem que os pais não orientam os filhos, mas quem orientou esses ignorantes? Metade dos pais brasileiros são alcoólatras crônicos, têm quantos filhos quiserem, um exemplo doméstico mortífero, horrível. A família é muito falada, elogiada e em nada cuidada. Na América do Norte isso está começando a brotar. Os cientistas fizeram um boneco que tem todas as necessidades fundamentais do bebê. Ele faz xixi, cocô, quer mamar, chora, esperneia. Quando aparece um casalzinho dizendo querer filhos, leva o boneco por dois meses. Se acharem que está tudo bem acordar no meio da noite, berrando, se fizerem a experiência do bebê dois meses e acharem ótimo podem ter o nenê. Porque um nenê é um inferno, algo que só se descobre quando se tem. As crianças estão sendo muito menos controladas, muito menos desviadas e envenenadas pelos velhos valores. Podem até estar sendo envenenadas pelos novos, mas não é esse o ponto. Hoje em dia todo mundo brinca com a supermãe, com o superpai. Ontem eu ouvi uma história bonita de um senhor que contou que seus três filhos chegaram pra ele e disseram: "Pai, a gente não quer mais ter pai, mas você tem que ficar amigo da gente". Essa é a lição de hoje. Não queira mais ensinar como era o mundo do seu tempo, porque você estará falando sozinho. Troca de experiências é outra coisa. Trocar experiências é ótimo, de sentimentos nem se fala, mas nada de lições de vida. Era uma cidade do interior, ninguém sabia nada de São Caetano, a 7 quilômetros, nem de São Bernardo, a 6 quilômetros. Ir até lá era visitar a família distante. Só se sabia da vizinhança, dos amigos e dos parentes próximos. Visita naquele tempo era um saco. Quem nasceu, quem morreu, o parto que demorou, a operação que foi terrível, o fulano que casou... Vocês não fazem idéia do que era meu mundo antes da televisão. Ela é uma janela para o mundo, digam os intelectuais o que quiserem. Hoje acho que um habitante analfabeto de uma cidade com 50 mil habitantes sabe mais sobre o mundo que Aristóteles do mundo dele, só olhando esse negócio que traz notícias de toda parte. Sabe tudo isso, é de esperar que comece a juntar. Em média, são 10 minutos de agrados e 2 de sexo, e isso já é excepcional. E todos sabemos que os machos são absolutamente dispensáveis, já que um homem numa só ejaculação bastava para fecundar todas as mulheres dos EUA. Por isso é que eles precisam se exibir, se mostrar tanto para parecerem úteis. Fizeram todas as guerras assim, homens matando competidores e rivais. E criaram ainda o assalto coletivo, saqueando uma cidade inteira, estuprando as mulheres e levando os que sobraram como escravos. Mas os
machos não são grande coisa. Se em casa ninguém tem pinto, na gangue, no grupo de adolescentes, todos só têm pinto. É impensável o desenvolvimento natural da sexualidade num esquema monogâmico, que é feito para baixar as necessidades sexuais. Se eu visse uma menina de 4 anos mexendo na xoxota eu daria uma piscada, um sorriso e diria: "é bom, né?" Talvez fosse chamado de pervertido. Mas não é à toa que todos os palavrões são anti-sexuais. Será que com todos esses palavrões a gente vai fazer bonito na cama? Globalmente, a mulher é mais amarrada do que o macho, porque quando jovem é vigiada pela mãe e, quando adulta, pelas amigas. Se a mulher sair com mais de um, logo é a piranha. E há muito mais masturbação que relações sexuais, além do que somos muito monótonos até nisso, não brincamos com as possibilidades. Uma mão com um pouco de criatividade pode fazer coisas incríveis. Não é à toa que Alemanha e França ficaram contra o ataque ao Iraque. E é muito estranho que a Inglaterra esteja a favor. O horror à guerra está crescendo cada vez mais. Dez dias antes do primeiro foguete, a gente ficava aqui pensando 'vai ter ou não vai ter', porque o mundo
inteiro estava mobilizado contra. Gigantescas passeatas, xingamentos de toda ordem. A minha esperança é que segurem a próxima. Essa é a definição do pânico, e o Bush está capitalizando isso. Realmente não sei se preferia estar nos EUA, em Nova York, ou num lugarzinho mais espirrado no Iraque. Porque lá ao menos o perigo está na cara, vem um bruta tanque, da explosão que eu estou vendo. Nos EUA, você
pensa: 'Será que meu vizinho é terrorista?' É uma angústia coletiva. Graças a Deus que eu consigo me alienar dessa loucura coletiva que está em qualquer noticiário, em qualquer jornal, o que é chamado mundo normal. A gente engole porque está acostumado. Tem gente que sobreviveu dois anos em campo de concentração. Não dá para imaginar como; não sei se nós somos tão diferentes. "Ah, eu quero um trabalho". Oito horas por dia de escravidão para ganhar, com sorte, 600 ou 700 reais por mês. E você tem dois filhos e aluguel. Essa é a situação de quatro quintos da população. Segundo, ninguém quer saber, mas não vai mais ter emprego, a automação está tomando conta de tudo. Não vai mais ter emprego, simples. Ninguém pode prometer que vai arrumar emprego porque não vai arrumar. revistaforum
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