Aqui colocamos alguns textos para servir de APOIO TEÓRICO

 ao tema EDUCAÇÃO INFANTIL & SOMAIÊ do

II Te&So



01 - Wilhelm Reich - A principal base teórica da somaterapia/SOMAIÊ é a obra de Reich. Considero a SOMAIÊ, bem como o Te&So e as C&E LIVRES como parte da ECONOMIA SEXUAL.

02 - Pedagogia Libertária - O Anarquismo é o referencial político da SOMAIÊ, e nele propomos a pedagogia libertária como o meio de mudança. Na década de 90, dentro dos Cursos de Pedagogia Libertária do Tesão a Casa da Soma, produzimos pesquisas e experiências. Traremos material para o encontro do II Te&So.José Ângelo GAIARSA em entrevista ao Te&So em Junho de 2005, foto de Rui TakegumaApós a separação de Roberto Freire, Rui Takeguma vem buscando ATUALIZAR e desenvolver a pesquisa básica da Somaterapia...Na foto Rui Takeguma com Humberto Maturana (foto Maurício Moller)

03 - Biologia do Conhecimento - As pesquisas de Humberto Maturana, além de revolucionar a somaterapia, criando a SOMAIÊ, levanta alguns aspectos a respeito da educação infantil.

04 - José Ângelo Gaiarsa - Nosso convidado para este II Te&So tem muitos livros publicados onde faz sua crítica a educação convencional.



01 - Wilhelm Reich - Por Sylvio Porto em sua comunidade no Orkut:

 Acontece que Wilhelm Reich sempre definiu esta vertente de suas pesquisas.
1) Desde quando ele pesquisava, em laboratório, o comportamento de uma planária (ser unicelular) em microscópio => cada vez que a “cutuva” com um finíssimo estilete e via que, a cada “cutucada”, ela se retraía (contração) e demorava cada vez mais para voltar ao normal (expansão)... até que, depois de uma série de “cutucadas”, sucumbiu totalmente retraída!
2) Até quando ele observava, no cotidiano de seus clientes e das pessoas de um modo em geral, que a armadura caracterial não é um desenvolvimento humano natural; se completamente deixada aos seus instintos positivos, a maioria das pessoas teria caracteres genitais capazes de total e livre potência orgástica => uma criança ao nascer de um útero quente (37°) experimenta uma descida repentina de temperatura e é exposta a uma feérica iluminação dos holofotes de um centro cirúrgico; na maior parte dos hospitais (influenciados, provavelmente, por obstetras e pediatras de mentalidade mecanicistas e patriarcais) o cordão umbilical é cortado imediatamente, é-lhe dada a famosa palmada nas nádegas, a criança é completamente embrulhada num cobertor (maniatada), por vezes é aguilhoada com tubos e aspirações, passam-lhe “decrê” (uma solução diluída de nitrato de prata) nos olhinhos e a levam para bem longe da mãe (berçário) onde será regimentada de forma a servir aos horários do hospital e se sujeitará aos humores de pessoas (enfermeiras) com as quais ela não terá, provavelmente, nenhum outro contato ao longo da sua vida. O ressentimento desta criança em relação ao mundo inicia-se no primeiro dia da sua vida; Reich perguntava, a si próprio, quantas vezes uma criança é odiada mesmo antes de ter nascido... e tão logo tenha nascido!

É que a sociedade não espera muito para lançar suas presas sobre o protoplasma vivo e empreender seu intenso trabalho de modelagem; assim que a mulher engravida já é preparada e condicionada para parir, perceber e tratar a criança de acordo com modelos culturais bem precisos e de um rigor extremo. O trabalho de parto se efetua em condições psicológicas e médicas bem determinadas (como disse um médico obstetra para mim: “O parto é um ato cirúrgico!”); e desde os primeiros segundos de sua existência o recém-nascido está nas mãos dos prestigiados e despóticos representantes do corpo social. Se quisermos nos contrapor, ou ao menos atenuar os efeitos nefastos de uma cultura mórbida e assassina, se quisermos preparar as condições para a indispensável reestruturação caracterial do ser humano, é desde o nascimento – e nos meses precedentes – que a economia sexual deve entrar em ação, para impedir a confusão das intervenções mecanicistas e repressivas, para permitir que a natureza biológica do recém-nascido seja respeitada e que ele desenvolva seus ritmos vitais, suas funções emocionais, orgânicas, sexuais de maneira plena e livre.

A inibição sexual nas crianças leva a inibição psíquica, à falta de pensamento e ação independentes. A criança cria, então, uma total fixação e dependência nos pais. A maior parte das neuroses desenvolve-se no seio da família e, primordialmente, na infância. Por meio de um complexo jogo de transferências, o adulto se apropria da infância e a converte em sua terra prometida, terra que ara em sua penalidade atual, com suas presentes impotências e frustrações, terra que semeia com seus desejos impetuosos, suas esperanças, seus projetos, suas projeções, suas alucinações; sonha a si mesmo nos corpos de seus filhos – o que eu não sou, você será; o que eu não tenho, você terá, o que eu não faço, você fará... – passando de geração para geração as mesmas ilusões, as mesmas mentiras, as mesmas promessas, o mesmo adiamento.

Daí a importância da terapia corporal, com seus exercícios bioenergéticos, na tentativa de recuperar o ritmo biológico sadio e sobretudo do trabalho de prevenção de neuroses que Reich considerava como verdadeiramente eficiente para se obter uma mudança significativa no ressurgimento de uma nova sociedade. Reich nos diz: “Sabemos que são sobretudo as influências sócio-econômicas (estruturas familiares, idéias culturais que opõem a cultura à natureza, exigências da civilização, religiosidade mística etc.) que reproduzem a couraça em cada geração de recém-nascidos. Quando essas crianças crescem, impõem a couraça a seus próprios filhos e assim, sucessivamente, a menos que a cadeia seja rompida um dia”. Em outro momento, Reich afirma: “A reestruturação do caráter humano por uma transformação radical de nossa maneira de educar as crianças, em todos os aspectos, diz respeito à vida como tal”.

Em seu testamento, redigido em 08-março-1957, Reich estabelece que todos os seus bens fossem reunidos em um Fundo, geridos e administrados sob o nome de “Wilhelm Reich Infant Trust Fund” (Fundação Wilhelm Reich para a Infância) e que 80% de todos os ganhos e benefícios sobre os direitos provenientes de suas descobertas fossem “consagrados à proteção da infância em todas as partes do mundo”.


02 - Pedagogia Libertária - Existem inúmeras referências sobre pedagogia libertária, coloco aqui um parágrafo de Encarnación Garrido Montero (Escola Paidéia, em Mérida/Espanha) retirado do livro "Pedagogia Libertária referências hoje" Editora Imaginário, 2000.

O que sei é que defender a educação libertária inclui uma luta permanente contra o que se apresenta como inamovível, e resistimos a que seja assim. Inclui a luta contra os imobilismos, procedam eles de nós mesmos, das ideologias que proclamam esta alternativa e que, ao se auto-afirmarem e defendê-la, caem com frequência em atitudes dogmáticas que já estão contrariando seu alcance. É mover-se em um terreno onde a dúvida é um componente importante, porque tratamos com pessoas e nunca chegamos a nos conhecer nem a conhecê-las como um todo. Portanto a educação libertária é evolutiva e dinâmica e requer um estudo e investigação psicopedagógica, antropológica, sociológica e econômica de forma constante. Por outro lado, está baseada em princípios que são tão simples e tão complicados, ao mesmo tempo em que, geralmente, sentimos desânimo ante a importância e a responsabilidade que carrega a tomada de decisões deste tipo de educação, sobretudo porque não se têm marcos de referência. Nenhuma pessoa é igual a outra e, portanto, as situações não podem nunca serem as mesmas.


03 - Biologia do Conhecimento - Recomendo a leitura de "Amar e Brincar - fundamentos esquecidos do humano" de Humberto Maturana e Gerda Verden-Zoller. Para os autores a relação materno-infantil tem de ser vivida no brincar, numa intimidade corporal baseada na total confiança e aceitação mútuas, e não no controle e na exigência.

...meninos e meninas devem crescer na biologia do amor, e não na biologia da exigência e da obediência.

...falamos em brincadeira cada vez que observamos seres humanos e outros animais envolvidos no desfrute do que fazem, como se seu fazer não tivesse nenhum objetivo externo. No entanto, embora comumente estabeleçamos essas conoteções ao se falar de brincadeira, na atividade produtiva de nossa cultura deixamos de perceber que aquilo que a define (a brincadeira) é um operar no presente.

A criança só adquire sua consciência social e autoconsciência quando cresce na consciência operacional de sua corporeidade. Ela só pode crescer dessa maneira quando o faz numa dinâmica de brincadeiras com a mãe e o pai.

Nos sistemas vivos, nada ocorre que sua biologia não permita. A biologia não determina o que acontece no viver, mas especifica o que pode acontecer. Se não houvesse em nós, machos humanos, a possibilidade de fazê-lo, não teríamos a disposição pra cuidar das crianças e não desfrutaríamos esse cuidado. Não se pode esperar que um gato macho cuide de suas crias. Para ele, elas não existem, ou só existem marginalmente. Mas nós, os machos humanos, não temos nenhum problema em relação a isso - ao contrário. De modo que esse é um ponto importante na história dos seres humanos: os machos têm participação da criação dos filhos.


04 - José Ângelo Gaiarsa - Nosso convidado para este II Te&So tem muitos livros publicados onde faz sua crítica a educação convencional. Aqui alguns trechos do livro A cartilha da nova mãe:

Como bichinho saudável, a criança se interessa por tudo, quer mexer em todas as coisas, ir a todos os lugares, experimentar o quanto lhe é possível com as mãos, os olhos, a boca, o corpo todo. Ela precisa "encher" o cérebro de experiências, sem as quais nada pode fazer.

Na vida muito ocupada das pessoas, não há muito tempo para acompanhar a criança ou proporcionar-lhe esta variedade de estímulos e então substituímos o muito experimentar pelo muito falar, e terminamos falando demais sem saber bem do que estamos falando, ou a que estamos nos referindo quando falamos!

(...)

A criança não entende nada destes conselhos, mas eles permanecerão para sempre em sua mente, atrapalhando todas as suas decisões e escolhas, perturbando a consciência e complicando os sentimentos.

As cosias se encadeiam com uma lógica de ferro.

É preciso tornar a criança muito mais dependente dos pais do que a natureza determinou; assim ela se fará mais dócil, obediente, temerosa e subserviente diante dos adultos, de início mãe e pai, depois "os mais velhos", professores (em todos os níveis), patrões, sacerdotes, governadores,presidentes...

Ficam assim reforçadas todas as relações de poder.

 

...as crianças nascem com uma capacidade espantosa de aprender e aprendem em um dia o que um jovem levaria um mês e um adulto um ano para aprender.

A circulação cerebral da criança pequena é mais de três vezes a do adulto.

Ao nascer o cérebro pesa 20% do peso corporal, ao passo que, no adulto, mal chega a 2%.

Aos três anos o cérebro de uma criança já alcançou 90 % de seu desenvolvimento.

O cérebro adulto consome, dia e noite, 20% do oxigênio inalado, e bem mais que isso na criança.

Estes são os fundamentos indiscutíveis a favor da imensa capacidade de aprender da criança - muito mal aproveitadas pelas instâncias educativas.



Aqui alguns LINK's de textos publicados na página da SOMAIÊ:

46 - 06/2003 - O Paradigma anarquista na educação - Silvio Gallo

45 - 06/2003 - Pedagogia Libertária versus Pedagogia Autoritária - José Maria Carvalho Ferreira

44 - 06/2003 - A pedagogia anarquista brasileira - revista Utopia 5 - Paulo Carrão

41 - 06/2003 - O que é ensinar?... Quem é um professor ? - Humberto Maturana



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